O cão dos Baskerville

Como eu defino o que entra na minha lista de livros preferidos e o que seria só livros que eu amei? Há uma diferença enorme entre essas categorias!

Sem exceções, só considero um livro como preferido se ele me deixou perturbada por pelo menos uma semana. Ou seja, eu só pensei nisso e só falei nisso. Existe toda uma obrigatoriedade de um luto iminente antes mesmo do final da leitura. Livros que eu simplesmente amei, não. Eu os amei de coração, sim, mas passou. Foi um amor bem resolvido. Os preferidos, não. Doeu na carne. São amores mal resolvidos, com certeza não superados.

E isso aconteceu em três ocasiões: a primeira, vocês já sabem qual. Ai ai ai, foi com a terrível morte da Dona Sinhazinha, a maravilhosa trama da sociedade ilheense de Gabriela, cravo e canela. Você pode descobrir o escarcéu que eu fiz aqui

Entretanto, Gabriela é o terceiro livro – cronologicamente falando – alçado à minha conceituadíssima lista de preferidos. Não julguem minha lista, não tentem achar um padrão, pois quando o coração da gente se apaixona, fica frágil, fácil de se entregar.

O primeiro livro da lista apareceu para mim em julho de 2011. Como vocês devem ter percebido, é O cão dos Baskerville, de Arthur Conan Doyle, e faz parte da coletânea do personagem Sherlock Holmes.

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Esse eu fiquei umas três semanas encarando o canto da parede falando “eu não acredito”

Os casos dos best friends forever Sherlock Holmes e Watson são, principalmente, escritos sob forma de conto. Porém, há alguns romances – “casos mais longos”. É esse o caso de O cão dos Baskeville.

Não é necessário começar pelo começo para entender a literatura sherlockiana. Você pode começar lendo qualquer conto ou romance: o narrador Watson vai sempre te contextualizar, não tema! O que muda, claro, é o amor… Quanto mais se lê, mais se ama os personagens e seus trejeitos. Eu amo o Dr. Watson e pretendo ter um gato com esse nome.

Vamos à minha aventura: eu sou muito medrosa. Muito. Filme de suspense? Deus me livre. Castelo do Horror? Prefiro ter a poupança sequestrada pelo Collor. Por isso nunca tinha lido absolutamente nada de suspense ou com um pezinho no investigativo. O máximo foi Harry Potter e a Câmara Secreta, quando adolescente… Mas, na faculdade, uma colega estava jogando no computador o jogo sobre – adivinhem – o cão dos Baskerville, eu estava acompanhando e achei extremamente interessante. Foi o suficiente para a Dona Pulga, que habita o posterior da minha orelha, picar-me, e o mal estava feito.

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O jogo se chama Sherlock Holmes and the hound of Baskervilles e está disponível em português: cumpra as missões para solucionar o caso.

Comprei a edição da Zahar, porque continha notas de rodapé altamente explicativas (muitas desnecessárias e/ou especulativas, mas em geral enriquecedoras). Decidi ler somente quando estivesse na casa da minha mãe, de férias, porque se eu ficasse com medo, ela me socorreria! RISOS. Comecei a ler, corajosamente – que vergonha – no aeroporto de Confins, indo pra Guarulhos, o que dá uma hora de voo.

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ah e também tem essas ilustrações mimosas

Todo início (ou praticamente) das histórias de Sherlock seguem um padrão: Sherlock e Watson em casa fazendo vários nada, quando um cliente chega e expõe seu misterioso problema, que será investigado no desenrolar da trama.

Gosto desses inícios, são ágeis em despertar a curiosidade do leitor. Todo gato é bicho curioso, e foi o que aconteceu comigo: estive lendo no salão de embarque, na fila de embarque e também dentro do avião, fato que despertou muitíssimo a curiosidade do meu vizinho de fileira. Discretamente eu vi que ele estava entornando a cabeça para descobrir que livro eu estava lendo tão avidamente! Morri de rir internamente e levantei a capa, pois sou caridosa.

Infelizmente o desfecho deste causo é trágico. Li dez horas seguidas – eram muitas coisas acontecendo, eu não podia parar! – sentada em uma poltrona ortopedicamente desaconselhável. Acabei travando a coluna, isso foi muito chato, mas valeu a pena.

Sinopse do livro:  *sem spoiler* Uma maldição assombra a família Baskerville há gerações: um cão agourento persegue os membros pela charneca próxima à propriedade – o Solar Baskerville. Quando Charles Baskerville é encontrado morto (ilustração da capa) na entrada da charneca, com pegadas gigantes de um cão ao seu lado, seu herdeiro procura Holmes para descobrir se esta maldição é real e o cão dos Baskerville existe mesmo. O autor flerta com o sobrenatural neste livro e até mesmo Sherlock se impressiona com o desfecho. Há especulações que sugerem que Conan Doyle tenha recebido o título de Sir após a publicação desta obra, pois o rei Eduardo VII teria gostado muito. Você vai ousar duvidar do gosto real ao não ler? Absurdo.

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“ninguém mais respeita a realeza?” – E.VII

 

Curiosidade 1: eu não conhecia a palavra charneca quando li o livro. Por isso, ela adquiriu um sentido todo agourento especial para mim, indissociável ao livro. Falou em charneca eu já me derreto toda…

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isso é uma charneca: um campo de vegetação rasteira. mas se não tiver pelo menos uma morte misteriosa, aí não vale.

Curiosidade 2: Se você assiste à série Sherlock, não se preocupe com spoilers, o episódio duplo é livremente inspirado no livro, você não vai “descobrir” o final.

Curiosidade 3: Eu escrevi esse texto em um voo com turbulência.

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8 comentários sobre “O cão dos Baskerville

  1. Lígia disse:

    Em primeiro lugar quero me apresentar. Sou a mãe do gato bigorninha.
    Ei, gato, o que você quis dizer com ” se eu tivesse medo, ela me ocorreria. RS” Ah … que eu também sou medrosa??? Acertou kkk
    A pulga acabou de me picar. E agora??? Acho q vou esperar a próxima fila de embarque😊

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