Retrospectiva Literária: 2017

Com o término do ano, chega o momento de refletir sobre as escolhas feitas. No meu caso, mais vale a pena refletir sobre os livros lidos. Eu tento ler pelo menos doze livros por ano, sendo um por mês. É um volume módico, eu sei, mas em geral eu preciso priorizar as leituras teóricas, e essas eu não contabilizo. Dito isso, vamos começar:

RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2017:

Os livros estão na ordem que li nesse ano, não sei dizer em qual mês eu li cada um, porque eu não sou tão organizada assim. Avalio na seguinte escala:

♥ não gostei.

♥♥ gostei

♥♥♥ muito bom!

♥♥♥♥ eu AMEI!!!

♥♥♥♥♥ entrando pra exclusivíssima lista de preferidos, que honra!


1- O último magnata; F. S. Fitzgerald

magnata

Como eu já disse nesse post,  é um livro muito bom, e o fato de não ter sido acabado me parte o coração. O autor teve um ataque cardíaco e morreu antes do término. A história acompanha a rotina de um produtor de Hollywood nos anos 30, e também mostra sua vida por meio do olhar das moças que se apaixonaram por ele. Muito interessante ver como funcionava a indústria cinematográfica em seu início. Sou suspeita, adoro Fitzgerald, esse ano também li a novela O colapso, mas não posso contabilizar nessa lista porque não terminei de ler a última novela do livro… E nem pretendo, chatíssimo, mas não era do Fitzgerald! Era Na gaiola, de Henry James… Resumindo: se for Fitzgerald, eu recomendo.

Nota: ♥♥♥


2- Assassinato no campo de golfe; Agatha Christie

assassinato no campo de golfe

A descrição do livro segundo o site da amazon é a seguinte: Monsieur Hercule Poirot recebe uma misteriosa carta de um milionário sul-americano, monsieur Renauld, dizendo precisar dos serviços de um detetive e pedindo sua ajuda. A carta não dá detalhes do caso, nem informa exatamente o que está perturbando monsieur Renauld, só menciona que sua vida está em perigo. Imediatamente Poirot, seguido de seu assistente, o inseparável Hastings, parte para Merlinville-sur-Mer, uma pequena cidade no litoral francês onde reside o milionário. Porém, ao chegarem à casa de monsieur Renauld, descobrem que ele foi assassinado naquela noite, em um crime brutal: Renauld fora apunhalado pelas costas, estirado ao lado de uma cova no campo de golfe da propriedade.

Eu amo o Poirot, e em geral eu gosto muito dos livros da Agatha Christie. As coisas estavam indo muito bem, muito bem mesmo, nesse romance policial. Porém, eu detestei o desfecho do caso, e isso acabou com o livro todo pra mim. Recomendo somente se você já tiver lido quase todos os outros livros do Poirot, porque aí, de fato, a gente sente saudades dele e acaba aceitando qualquer coisa.

Nota: ♥


3- A morta seguida de O rei da vela; Oswald de Andrade

oswald

Duas peças modernas de Oswald de Andrade. Eu li muita dramaturgia esse ano por conta de uma disciplina sobre teatro moderno e contemporâneo que fiz na faculdade, e isso foi maravilhoso. Eu simplesmente adorei a disciplina, foi um novo mundo literário que se abriu (e eu falarei sobre isso ocasionalmente em um outro post). Eu literalmente não tenho competência para descrever a história de A morta. Foi a primeira peça que li para a disciplina e não entendi absolutamente nada, talvez se eu a reler agora, depois de todo o estudo teórico, e também depois de um maior contato com peças modernas e contemporâneas, eu consiga compreender melhor. O rei da vela é mais compreensível enquanto narrativa: conta a história de Abelardo, agiota. Não consigo descrever mais do que isso, infelizmente. Espero que minha professora não leia, que vergonha. Se você já tiver familiarizado com teatro do século XX e XXI, eu recomendo; senão, você ficará traumatizado e irá odiar tudo desse gênero. Justifico a nota pelo incômodo que me causou o fato de não compreender nada. Acontece.

Nota: ♥


4- Br Trans; Silvero Pereira

br trans

Sabe o Nonato, da novela A força do querer? Então, ele é o Silvero Pereira! Eu achei o máximo descobrir isso, mas eu não assistia a novela, e conheci primeiro o dramaturgo/ator para depois conhecer o global. A organização da peça Br Trans é muito legal, um pastiche de histórias de transexuais. O próprio Silvero escreveu e interpretou o texto, e você pode ver o espetáculo completo aqui, disponibilizado pelo próprio autor/ator. É um texto forte, recomendo.

Nota: ♥♥


5- De onde vem o verão; Carlos Alberto Soffredini

soffredini

Outra peça de teatro: conta a história de Marlene, uma moça que se apaixona pelo pedreiro da obra em frente à sua casa. Ela passa a ajudá-lo a vencer na vida, dando-lhe casa, comida e oportunidade de estudos. O desfecho faz o leitor se perguntar se a história de fato aconteceu, ou se tudo não passou de uma alucinação causada pelo calor do verão. A transcrição da oralidade no texto é primorosa. Recomendo.

Nota: ♥♥

6- O livro de Jó; Teatro da Vertigem

livro de jó

cena do espetáculo

Segunda peça de uma trilogia feita pelo Teatro da Vertigem: Paraíso perdido, O livro de Jó e Apocalipse. Difícil comentar, o texto é forte, mas a encenação é peça fundamental nessa criação, que foi encenada em um hospital desativado. Mostra o sofrimento de um Jó doente, que tem sua fé testada por Deus, a pedido do diabo. Apesar da inspiração religiosa, não é uma peça bíblica. Tecnicamente ela se passaria nos dias atuais, apesar de não haver marcas temporais, e por isso faz alusão à forma que pessoas doentes são tratadas pelos seus parentes e amigos. Recomendo ler a trilogia na ordem, se for de seu interesse um teatro de engajamento social.

Nota: ♥


7- Vestido de noiva seguido de Toda nudez será castigadaÁlbum de família; Nelson Rodrigues

nelson rodrigues

Vou ser sincera: é estranho. Nelson Rodrigues te faz pensar em como alguém poderia agir de determinada forma. Mas o mundo é assim mesmo, perverso. Em Vestido de noiva, temos duas irmãs disputando o mesmo rapaz. A peça brinca com a alternância entre cenas do presente e passado. Eu tenho uma irmã, e eu acho muito estranha essa relação das irmãs na peça. Namorado ou ex-namorado de irmã pra mim é… isso mesmo, coisa da minha irmã e justamente por isso não é de minha jurisdição. Em Toda nudez será castigada uma ex-prostituta conta como conquistou um viúvo, que a tirou da prostituição, e no que sua vida se transformou depois disso. Álbum de família não era uma peça selecionada para lermos na disciplina, mas eu acho que é a peça ou mais conhecida, ou mais polêmica, do Nel (sou íntima). Basicamente, todo mundo teve ou quer ter relações com todo mundo: é pai com filha, mãe com filho, irmão com irmã, cunhada com cunhado… É como se tivessem tirado a essência da devassidão. Por isso mesmo, é uma peça excelente. Os textos do Nelson são de esfregar a hipocrisia na cara da sociedade, e a sociedade da época não gostou muito…. Mas eu gostei e recomendo! (Aceito a coleção completa das peças do Nelson de presente)

Nota: ♥♥♥


8- O pagador de promessas seguido de O bem amadoO santo inquérito; Dias Gomes

o pagador

Não tem absolutamente ninguém que ame mais O bem amado no Brasil e mundo do que eu. Eu amo muito o Odorico Paraguaçu, que retórica meus amigos, que retórica! O primeiro gato que eu adotar vai se chamar Odorico Paraguaçu, nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida, eu faço questão disso, não sei como dizer isso de forma mais enfática. Odorico é o meu bem amado, com todos aqueles advérbios… Fico maluca. Eu me lembro quando estreou o filme, produzido pela Globo, do Bem Amado, com o Marco Nanini no papel do Odorico. Eu fui assistir no cinema com minha mãe e a Maria, a mesma desse post aqui. Comentei com meu vovô e ele disse que o pai dele, o voquinho, amava o jeito que o Odorico falava. Obviamente, é hereditária essa paixão. O bem amado é tão absurdamente atual que chega a ser triste constatar que não houve nenhuma evolução na política brasileira. A Globo adorava o Dias Gomes, e ele, além de dramaturgo, foi também um grande novelista. O pagador de promessas também foi adaptado para a televisão, e mostra a tentativa de Zé do Burro de cumprir a sua promessa: levar uma enorme cruz de madeira para dentro da Igreja de Santa Bárbara. O filme de 1962, dirigido por Anselmo Duarte, ganhou a Palma de Ouro no festival de Cannes, e está disponível aqui. Não gostei tanto dessa peça, porque o Zé do Burro é burro como um burro e teimoso como um burro. Prefiro peças mais animadas, e o teatro moderno e contemporâneo adora colocar a inércia (ou vazio) da vida em cena. Eu gostei mais de O santo inquérito, porque eu tenho muito interesse pelo contexto da inquisição. A peça mostra o processo inquisitorial da jovem Branca, que, por ter salvo um padre de afogamento , ou seja, por ter feito respiração boca a boca no padre, é acusada de ter o diabo no corpo (ou algo assim). Bate uma revolta? Claro, mas esse contexto não é o mais propício para finais felizes, não é mesmo? Recomendo as três peças, O bem amado por ser absolutamente maravilhosa, O pagador de promessas pela sua importância histórica e O santo inquérito por esfregar a hipocrisia da instituição religiosa na cara da sociedade.

Nota:

O bem amado ♥♥♥♥♥

O pagador de promessas ♥♥

O santo inquérito ♥♥♥


9- Pedreira das Almas seguido de Vereda da salvação; Jorge Andrade

jorge andrade

As duas peças fazem parte do ciclo Marta, a árvore e o relógio de Jorge Andrade. São dez peças que procuram contar um pouco da história do Brasil (principalmente paulista) por meio do drama das personagens. Eu recomendo tanto que eu até comprei o livro esgotado por meio da Estante Virtual. Pedreira das Almas tem como contexto a revolta dos liberais em Minas Gerais (1842). Um liberal volta para sua cidade, Pedreira das Almas, e se esconde. Quando a polícia chega para prendê-lo, toda a cidade se recusa a delatá-lo. É uma peça com um certo engajamento político (como Jorge Andrade não comentava seus ideais políticos, esse engajamento nas peças perde um pouco a força), e que reescreve o mito de Antígona. A história de Vereda da salvação me interessou tanto que eu a li depois da aula sobre ela. Não tive tempo de ler para a aula, mas eu precisava ler. Talvez seja a peça que eu mais recomende de todas (sem contar o bem amado, claro, porque não há um Odorico Paraguaçu nessa peça, e eu sinto muito por isso). Baseada na chacina de Malacacheta, um grupo de trabalhadores rurais de uma fazenda passam por um processo forte de fanatismo religioso e, para contê-lo, os fazendeiros decidem matar todo mundo. Isso não é spoiler se for baseado num fato verídico! Saber o desfecho não influencia a leitura, pelo contrário, proporciona um olhar mais crítico das personagens. Parece extremista no início, mas ao longo do texto a gente acaba pensando “é…”. Eu recomendo muito mesmo, foi um privilégio ter descoberto Jorge Andrade nesse ano.

Nota: ♥♥♥♥


10 – O auto da compadecida seguido de O casamento suspeitoso; Ariano Suassuna

ariano

Um clássico da sessão da tarde! O auto da compadecida é absolutamente gostoso de se ler, mas não espere ver o filme no texto. O filme junta outras peças do autor e O auto da compadecida se concentra mais entre a cena da execução e do julgamento divino. Muito interessante comparar com o filme, é assustador a precisão da adaptação cinematográfica. Se você não conhece o filme, eu estou te julgando: a história da peça (que inspirou o filme) acompanha as peripécias de João do grilo e seu amigo Chicó no sertão nordestino. Enganando os mais ricos para sobreviver, um dia João acaba sendo executado por um cangaceiro, junto com dois párocos e um casal. Todos, assim como o cangaceiro, passam pelo julgamento divino. O casamento suspeitoso lembra muito O auto da compadecida na questão de um personagem bufão e seu melhor amigo que enganam as pessoas. Nesse caso, um rapaz está tentando se livrar de se casar com uma jovem, que o leitor descobre estar dando o golpe.  Apesar dos quiprocós, a peça não é tão divertida quanto o auto da compadecida. Recomendo a primeira.

Nota:

♥♥♥ O auto da compadecida

♥ O casamento suspeitoso


11- O natal dePoirot seguido de A aventura do pudim de natal e outras históriasAgatha Christie

natal de poirot

Eu li O natal de Poirot em setembro, e já não me lembro de quase nada dele! Eu adoro isso, assim eu posso reler os casos de Poirot infinitamente!!! Segundo a amazon: Véspera de Natal. A reunião da família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima o tirânico Simeon Lee está morto numa poça de sangue com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo se oferece para ajudar depara-se com uma atmosfera não de luto mas de suspeitas mútuas. Parece que todos tinham suas próprias razões para detestar o velho…

Agora eu estou me lembrando da história sim. Não é o melhor caso do Poirot, mas é o suficiente para ser uma leitura agradável e para amar o dono do bigode mais milimetricamente arrumado de todo o mundo.

Em seguida li A aventura do pudim de natal e outras histórias, que apresenta seis histórias dos dois detetives mais conhecidos da Agatha Christie: Poirot e Miss Marple. Lendo esses contos pude constatar que eu não gosto da Miss Marple. Ela é uma senhora idosa que não faz absolutamente nada! Os casos sempre chegam por acaso nela, e ela nunca se debruça sobre eles de fato, só dá um pitaquinho que se mostra absolutamente certo. Meh, absolutamente chato, essa é a verdade. Ela não tem o carisma de um belga bigodudo e metódico. Segundo a amazon: Um corpo apunhalado dentro de um baú. Uma briga familiar que termina em assassinato. Um homem que acredita estar prevendo sua morte em sonhos. Estes são apenas alguns dos mistérios que Agatha Christie apresenta nesta deliciosa seleção de contos, que reúne cinco casos do detetive Hercule Poirot e um de Miss Marple. Na história que dá título ao livro, “A aventura do pudim de Natal”, um príncipe herdeiro pede a Poirot que o ajude a encontrar um rubi que lhe foi roubado. Para investigar o caso, o detetive precisa participar – a contragosto – de uma tradicional celebração natalina inglesa em uma mansão do interior. Mas um bilhete anônimo acaba mudando tudo…

Os casos são: A aventura do pudim de natal (Poirot); O mistério da arca espanhola (Poirot); A extravagância de Greenshaw (Miss Marple); O sonho (Poirot); Poirot sempre espera (Poirot) e Vinte e quatro melros (Poirot).

Todos os contos valem a pena, menos o da Miss Marple. Desconfie do nome: se tem a extravagância no título, é um mau presságio. Digo isso baseada na minha opinião sobre A extravagância do morto (não recomendo).

Nota: ♥♥♥ e meio


12- Antígona seguido de Édipo ReiÉdipo em Colono; Sófocles

sofocles

Li a trilogia tebana por conta da disciplina de teatro: escrevi um artigo sobre o mito de Antígona na peça Pedreira das Almas. Eu simplesmente amo mitologia. Não tem mitologia propriamente dita nessa trilogia, mas flerta com por meio da infalibilidade do destino traçado pelos deuses. Amo mitologia e Grécia Antiga, resumidamente. Eu adoro assistir ao filme Tróia e ficar apontando as incongruências da adaptação. Nossa, as pessoas que assistem comigo adoram, não sei como nunca levei um soco, mas é mais forte do que eu – sinto muito! Eu li as peças (por acaso) na sequência que foram escritas, mas a história se passa assim:

Édipo rei: Édipo mata um homem no meio da estrada, até ai tudo bem, e depois derrota a Esfinge (aquela do decifra-me ou devoro-te, sabe?), que causava a ruína de Tebas. Como prêmio, ele recebeu a mão da rainha viúva em casamento, e se tornou rei. Porém, a cidade só voltaria a ter glória se achassem o assassino do antigo rei. Não vou dar o desfecho (que originou o conceito de complexo de Édipo, de Freud), porque sei que muita gente não liga o nome com o causo, e vale muito a pena ler e juntar lé com cré (eu amo essa expressão!).

Édipo em Colono:  Édipo, exilado e cego, mendiga pelas cidades, guiado por sua filha Antígona. Não tem muito o que contar sem ser extremamente detalhista, o que dispenso.

Antígona: Polinice, irmão de Antígona, morre como traidor, e o rei Creonte proíbe que o enterrem. Antígona, contra a lei, enterra o irmão, porque é a lei de Hades. A peça tem uma força política por expor a revolta do oprimido contra opressor, e também pela discussão entre lei natural/obrigação cívica (de enterrar o irmão) e lei escrita (lei do rei).

É clássico desde antes de Cristo. Obrigatório e maravilhoso.

Nota: ♥♥♥♥


13- Andromaque; Racine

andromaque

Última peça de teatro do ano. Altamente influenciada pelo contexto grego, escolhi essa peça francesa do século 17. Na época de Sófocles, a questão do casamento por amor era meio bobagem, e essa questão amorosa também não entrava muitos nas peças. Já na época de Racine, era inconcebível uma peça sem o quadro amoroso. Por isso, Andromaque conta a história da fidelíssima Andrômaca, viúva de Heitor (príncipe de Tróia morto por Aquiles), refém do rei Pirro (filho de Aquiles). Pirro está apaixonadamente apaixonado por Andrômaca, e isso causa um certo mal estar político entre os gregos, principalmente porque ele é noivo da princesa Hermione (filha daquela Helena). Orestes chega no reino de Pirro, a cidade de Épiro, para negociar essa coisa de “Poxa, mas você quer casar com ela, mas ela é inimiga…”, e encontra Hermione, por quem ele é apaixonadíssimo. Sabe aquele poema de Drummond, quadrilha? “João amava Teresa que amava Raimundo….”? É tipo isso mesmo: Orestes amava Hermione que amava Pirro que amava Andrômaca que amava Heitor que empacotou na guerra. Acontece. Recomendo muito, mas escolha bem a tradução, porque a peça é toda formada por versos rimados, seria uma pena perder isso.

Nota: ♥♥♥♥


14- Três ratos cegos e outras histórias; Agatha Christie

tres ratos

Nove contos da Agatha Christie, alguns repetidos de A aventura do pudim de natal e outras histórias. A descrição da amazon é longa e isso me facilita a vida: Logo em Os três ratos cegos, o clima de suspense é reforçado pela cantiga inglesa de mesmo nome, que adquire tons sombrios ao ser encontrada pregada no corpo de uma vítima de assassinato. As pistas indicam o lugar do próximo crime: uma hospedaria recém-inaugurada e isolada pelas fortes tempestades de neve.

Eu sinceramente adorei esse conto. Apesar de não indicar, eu tenho certeza que um dos personagem é o Poirot. Meu coração apaixonado me diz.

Os próximos quatro contos são protagonizados por Miss Jane Marple, a “fina flor dos detetives”, velhota solteirona de St. Mary Mead e eternizada em mais de uma dezena de romances policiais de Agatha Christie. Em Estranha charada, a sagaz velhinha auxilia um casal de jovens a buscar a herança deixada por um tio-avô afeito a charadas e adivinhas. Já em O crime da fita métrica, Miss Marple é casualmente envolvida na investigação de um crime aparentemente passional; O caso da empregada perfeita é outro que requer sua intervenção, após uma criada ser apontada como autora de um furto. Por fim, em O mistério da caseira, a detetive amadora, acamada, não toma parte direta na ação, mas é instigada a desvendar um enigma em um manuscrito que lhe é fornecido pelo doutor Haydock. Neste peculiar conto metalinguístico, narra-se a intrincada história de uma morte aparentemente natural, deixando incógnitas que instigam a curiosidade de Miss Marple.

Obviamente que esse é o problema do livro: tem muitos contos da Miss Marple. Se você não tiver nada contra ela, vale muito a pena, porque os contos têm enredos e desfechos interessantes. Mas seriam melhores se fossem com o Poirot.


Outro detetive de Agatha Christie, talvez ainda mais famoso e adorado que Miss Jane Marple, toma parte nos três contos seguintes: o belga ♥ Monsieur Hercule Poirot ♥, considerado por muitos a maior criação da autora, é um homem metódico, que coloca suas “células cinzas” do cérebro para trabalhar na investigação de casos misteriosos. No primeiro dos contos, O apartamento do terceiro andar, Poirot aparece inesperadamente quando dois jovens encontram o corpo de uma mulher; atentando para pequenos detalhes, o detetive dá novo rumo à investigação que parecia concluída. Em Aventura de Johnnie Waverly, um casal procura Monsieur Poirot para auxiliar-lhes na procura de seu filho, que fora sequestrado.

Eu achei o desfecho de A aventura de Johnnie Waverly muito previsível, mas acho que é porque já conheço as estratégias da Agatha Christie. Não nego que O apartamento do terceiro andar seja uma criação um pouco fora da curva da autora. Digo isso não por ser ruim, pelo contrário, mas porque eu fiquei meio com medo (que vergonha admitir). Não sei dizer exatamente o porquê, mas acontece de vez em quando.

O detetive belga, demonstrando conhecimento profundo da natureza humana, em Vinte e quatro melros decide agir por conta própria e apurar uma situação à primeira vista superficial: um homem que jantava rotineiramente em determinado restaurante, muda repentinamente seus hábitos. Tempos depois, sabe-se que o mesmo homem fora encontrado morto.

Repetido em A aventura do pudim de natal e outras histórias.

No último dos contos, Os detetives do amor, entram em cena Harley Quin e Mr. Satterwhite, criações também famosas de Agatha Christie. Ao lado do coronel Melrose, a dupla de detetives investiga a morte de Sir James Dwighton, que morrera ao ser golpeado com uma estátua de Vênus – não por ironia, a deusa do amor e da beleza –, feita de bronze. Pequenos detalhes e a perspicácia de Harley Quin auxiliam na solução surpreendente do caso

Quem são essas pessoas? Eu simplesmente detestei que não era um caso do Poirot. Sinceramente, esse sr. Quin não é normal, e eu não gostei disso. Ele aparece na história por acaso (tipo Miss Marple – mau presságio), não fala nada nunca (cadê o carisma?), e magicamente resolve tudo, como a Miss Marple. Sinceramente, eu quero ver as células cinzentas em movimento, não quero as coisas dadas de mão beijada!

Recomendo esse livro somente se você gostar da Miss Marple, ou se for de graça – o que é meu caso. Essa coletânea está na seleção do Kindle Unlimited, uma espécie de Netflix do Kindle. Não precisa ter um Kindle para ler, você pode usar o aplicativo para celular ou tablet, ou ler pelo site mesmo, na página do Kindle Cloud Reader. Eu simplesmente amo esse Cloud Reader, é muito prático pra consultar uma coisinha ou outra rapidamente. O primeiro mês do Kindle Unlimited é grátis.

O poema ao qual o título do livro faz referência é esse:

Três ratos cegos

Três ratos cegos

Veja como eles correm

Veja como eles correm

Correm atrás da mulher do sitiante

Que seus rabinhos cortou com trinchante

Quem terá tido visão tão chocante

Como três ratos cegos

Esse conto é realmente muito bacana. Assim como em o caso dos dez negrinhos [ E não sobrou nenhum…], o poema se relaciona com o assassinato.

Nota: ♥♥


15- O clube dos suicidas; R. L. Stevenson

clube

Eu estou preparando um post sobre esse livro: três contos que aparentam, de início, não ter relação um com os outros, mas que formam uma só novela. O príncipe Florizel da Boêmia, quando morava em Londres, estava em busca de uma aventura. Uma noite, ele conhece o Clube dos suicidas. A cada encontro, cartas de um baralho eram distribuídas. Quem tirasse o ás de paus seria o assassino, o ás de espada indicava a vítima. Os membros eram pessoas que não queriam mais viver, mas não tinham coragem de se suicidar, ou não poderiam sujar o nome da família com um suicídio. Essa novela não chega a ser de gênero policial, mas flerta muito nesse estilo. A história é tão interessante que essa foi a segunda leitura que fiz. E isso é raro, em geral eu prefiro ler um livro novo, descobrir uma história nova, do que reviver algo que já li. Prioridades.

Nota: ♥♥♥♥


16- Os primeiros casos de Poirot; Agatha Christie

primeiros

Não nego que esse livro não deveria estar aqui. Tudo porque eu ainda não terminei de ler! Mas eu já li 48% segundo o Kindle, faltando 3h30 para terminá-lo. Estou muito confiante de que até o último dia do ano ele poderá constar dignamente nesta lista. São 18 casos curtos de Poirot em “início de carreira”. Não que o fato de ser início de carreira influencie alguma coisa: ele sempre foi genial. Infelizmente não sei dizer se recomendo ou não esse livro, nem que nota dar, porque acho injusto fazer isso antes de ter lido até a última página.

Eu terminei de ler esse livro na mesma noite que eu escrevi essas palavras, então preciso refazer essa pequena resenha! Um detalhe: nesse livro também há os contos O apartamento do terceiro andar A aventura de Johnnie Waverly, e eu não gosto muito dessa repetição de contos nos livros…

São 18 contos: O caso do Baile da Vitória; A aventura da cozinheira de Clapham; O mistério da Cornualha; A aventura de Johnnie Waverly; A pista dupla; O rei de paus; A maldição dos Lemesurier; A mina perdida; O expresso de Plymouth; A caixa de chocolates; Os planos do submarino; O apartamento do terceiro andar; O duplo delito; O mistério de Market Basing; A casa de marimbondos; A dama em apuros; Problema a bordo; Que lindo é o seu jardim!

Não entendo o título Os primeiros casos de Poirot sendo que não são os primeiros. Diversas vezes se fala que ele já era muito famoso por seus casos, então não eram os primeiros, obviamente! Eu, particularmente, prefiro os romances, porque as histórias se desenvolvem e tem mais detalhes, reviravoltas… Mas os contos também são interessantes. Se você prefere histórias ágeis, de rápido desfecho, vá pelos contos. Se prefere uma história com mais detalhes, vá pelos romances. De qualquer forma, opte sempre pelo Poirot!

Nota: ♥♥


Após rever as leituras desse ano, posso dizer que o ponto positivo foi ter descoberto um novo gênero literário, que eu adorei. Mas o ponto negativo foi que eu li muitas obras que eu não gostei tanto assim. O meu ano de ouro em relação a livros foi 2013, mas depois falo disso… Conte qual foi seu livro favorito do ano nos comentários!


Atualização 28/12/17 -9h

Acabou que eu fiz a retrospectiva cedo demais, e preciso colocar os últimos livros que li nesse mês.

17- A mansão Hollow; Agatha Christie

A descrição é: Ao aceitar o convite de Lady Angkatell para um almoço em sua mansão, Hercule Poirot mal pode imaginar a recepção indigesta que o aguarda: um homem agonizando ao lado da piscina, enquanto um dos convidados segura a aparente arma do crime. O caso parece óbvio, mas à medida que penetra na vida da família o detetive belga percebe que na Mansão Hollow todos têm algo a esconder. Gostei do enredo, o final foi tanto surpreendente quanto imprevisível. Mas, ainda assim, está na média dos casos de Poirot, ou seja, não é um caso tão mirabolante e complexo quanto, por exemplo, Os crimes ABC.

 

Nota: ♥♥♥


18- Père Ubu; Alfred Jarry

 

Outra peça de teatro escolhida por ter sido comentada na aula. O Pai Ubu mata o rei e toma seu lugar, de despota, passa a exigir cada vez mais impostos e a matar qualquer um que se oponha. Apesar disso, é uma comédia (muito atual, inclusive). Foi montada no início desse ano, com Marco Nanini. A peça faz parte do teatro do absurdo, ou seja, é meio confuso de entender…

Nota: ♥♥


19- O coronel e o lobisomem; José Cândido de Carvalho

Coincidência? O último livro do ano foi o melhor! Que surpresa agradável! A bem da verdade não tem muito lobisomem na história. O romance é uma autobiografia do personagem Ponciano de Azeredo Furtado. Vou fazer um post completo sobre, porque merece muito. O ponto alto da obra é a escrita, toda mimosa, tão boa quanto a de Dias Gomes em O bem amado. Aguarde o post completíssimo em breve!

Nota: ♥♥♥♥♥

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2 comentários sobre “Retrospectiva Literária: 2017

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