O rabo do mouse

Esse post foi originalmente escrito em 27/06/2018, mas se perdeu no meu baú das revisões.


 

Não sei se você já chegou a se perguntar o porquê do blog se chamar gato bigorninha, ou até mesmo o que seria um gato bigorninha. Dependendo dos seus conhecimentos metalúrgicos, talvez você nem saiba o que seja uma bigorna. Incontestável é que a sonoridade é ótima. Bem, como eu expliquei nesse post, foi meu primo quem forjou esse lindo conceito. Hoje falo um pouco mais sobre ele.

Nós temos idades muito próximas, então nós brincávamos muito juntos. As histórias são várias, tínhamos predileção pela falta de sentido de algumas delas. Por exemplo, jogar um dominó temático e ao fim ficar gritando “mariquéli”, enquanto pulávamos e balançávamos nossas pernas no ar. Mariquéli é um sonho fonológico: puro som, nenhum significado.

Como toda criança, ele almejou seguir várias profissões, como, por exemplo, bombeiro. Muitas crianças sonham em ser bombeiro, normal. Mas a profissão que durou mais tempo na sua cabecinha foi guarda florestal. Eu acho o máximo o conceito de ser guarda florestal, o mais perto de uma floresta que ele tinha chegado era, provavelmente, o pomar do sítio de vovô.

Isso me lembra que uma outra prima tinha ouvido falar sobre uma profissão que dava muito dinheiro e trabalhava pouco. Ficou interessada. Num jantar formal, perguntaram para ela o que ela queria ser quando crescer. Sem titubear, ela disse “agiota”! Claro que deve ter sido engraçado, mas muitos devem ter se perguntando sobre a índole dos pais…

Voltando ao meu primo, ele era bem da pá virada. Ao brincar de mecânico com o fusca do meu tio (protagonista deste e deste posts), ele pegou um martelinho de carne e pimba! no farol. Pelo menos ele nao desenhou no carro…

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podia ser pior

Uma das estripulias que ele fez que eu mais gostei foi na área tecnológica. Meu tio estava trabalhando muito e, muitas vezes, tinha de levar dever de casa. Naquela noite, ele estava com um prazo apertadíssimo para entregar um relatório. Sentou-se ao computador e o mouse não funcionava… Mexia, mexia, e a seta não respondia… Foi ver se estava bem conectado. Como isso foi nos anos 90, o computador era daqueles grandes, cheios de fios, que saudades! Ele pegou o fio do mouse, na mesa, e foi seguindo, seguindo… Atrás da torre estaria um emaranhado, com certeza. Mas epa, não houve um lá atrás: o fio se acabava no meio. Alguém tinha cortado o fio do mouse.

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só quem viveu sabe

A minha parte absolutamente preferida nessa história é que meu tio precisava muito, mas muito mesmo trabalhar. Para isso, ele precisaria do resto do fio – que tinha desaparecido. Chegou para meu primo e perguntou, com muito carinho, onde estava o fio: “papai não vai brigar”. Quando, recentemente, meu tio me contou essa história, eu passei mal de rir nesse trecho. Ele sabia que não conseguiria o raio do fio à força, meu primo negaria até o fim, como bom guarda florestal que era. Depois de uma certa insistência por parte de meu tio – “papai precisa trabalhar” -, o rabo do mouse foi, finalmente, recuperado e remendado. O que mais me surpreende nessa história é que sim, o mouse voltou a funcionar. E ele entregou o relatório a tempo.

2 comentários sobre “O rabo do mouse

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